Como tudo começou. Minha chegada em Genebra e dicas de adaptação

O ano era 2001. Uma grande amiga que já morava em Genebra foi passar férias no Brasil. Foi durante estas férias que ela me convidou para vir para Genebra, e eu, de supetão, disse SIM! Mal sabia eu como esta decisão iria mudar a minha vida para sempre...


Cheguei em Genebra em agosto de 2002. Tinha acabado de me formar em jornalismo e acreditava que ficaria aqui por no máximo um ano, afinal a partir do meu 3º mês, eu já estaria em situação irregular e não me via vivendo sem documentos.... Acontece que os dias, semanas, meses e anos foram passando, e aqui estou eu até hoje. O ano é 2019.

Eu em 2003. Esta foto foi tirada na lanchonete que trabalhei!

Demorei bastante a realizar que havia mudado de pais, que estava a milhares de quilômetros da minha família e amigos e sobretudo demorei quase 7 anos para entender que não, eu não iria voltar a morar no Brasil tão cedo. Eu não sei vocês, mas para mim o primeiro ano foi um misto de emoções. Às vezes eu ficava MUITO feliz, outras eu ficava MUITO triste. As vezes saudosa mas feliz por estar morando aqui, outras vezes saudosa e com raiva de morar aqui... Com vocês também foi assim? Parece loucura, eu sei, mas frequentemente eu me detestei pela minha própria escolha de ter deixado meu país, minha família e amigos.E porque eu não voltei? Sinceramente não sei, talvez seja por conta do que alguns de chamam de DESTINO.


Me vi sozinha aqui em muito pouco tempo. Tinha emprego, mas não falava francês. Minha amiga se casou alguns meses após minha chegada e foi cuidar da vida dela (com toda razão né?), e isso quer dizer que eu tive que aprender a me virar muito rápido e sozinha, porque senão como faria? Ainda não tinha amigos por aqui. Naquela época eu chorei bastante. Quase voltei... mas desisti! Decidi segurar o touro pelos dois chifres e encarar os desafios conforme eles iam aparecendo. E graças a Deus ao mesmo tempo que os desafios apareciam as soluções tbm vinham. E eu SEMPRE ACREDITEI que eu ia conseguir, e tentei dentro do meu possível focar sempre no positivo! Tem dado certo desde então.


Como percebem, a minha experiência nos primeiros anos é característica das pessoas que vem pra cá em situação irregular, ou seja, sem autorização de moradia. Bem diferente das pessoas que vem com nacionalidade europeia ou visto de residência. Todos os nossos passos são mais largos, e é necessário muita disciplina! Estou aqui até hoje, muito feliz diga-se de passagem, por não ter feito o caminho de volta (lembra o tal do destino)? Viver longe de casa e da minha zona de conforto abriu meus olhos para o mundo e certamente me transformou na mulher que sou hoje!


Graças a Deus trabalho nunca me faltou. Minha primeira atividade remunerada foi fazendo limpeza em casa de família. Também fui já babá. Meu primeiro trabalho fixo foi em uma lanchonete. Trabalhava de 08h as 19h e era extremamente mal paga. O típico caso de exploração de mão de obra MESMO. Não foi um período fácil, mas foi de fato, de MUITO aprendizado. Depois de 3 anos morando aqui, fui convidada para trabalhar em um café aonde pela primeira vez em Genebra eu teria um salário digno. E essa era a minha primeira conquista fora do Brasil. Não foi por indicação ou qualquer outra coisa. Consegui por mim, pelo o meu trabalho e senso de responsabilidade, que, aos poucos foram me abrindo diversas portas. A partir daí eu não mais parei... Parecia mesmo uma escada cujos degraus eu ia subindo pouco a pouco (aliás ainda estou subindo)! Em 2010 fui aprovada em um processo seletivo para trabalhar na Missão do Brasil junto a ONU, e, aqui estou desde então.


Muita água passou por debaixo desta ponte. Paralelamente a minha vida profissional aprendi a falar francês, conheci meu marido, nos casamos, tivemos duas filhas, fiz vários amigos e fiz um mestrado! Também compartilharei estes momentos com vocês aqui no meu diário. Por ora, deixo aqui algumas atitudes que eu acredito, facilitaram muita minha adaptação longe de casa, espero que funcione com vocês também:


* Disposição para aprender: Quando chegamos no exterior, pensamos que pelo fato te termos uma profissão, experiência profissional, documentos e etc, será fácil de conseguir um trabalho, mas, para as pessoas que saem do Brasil como eu, indocumentados, não é bem assim não. É comum em um primeiro momento termos que desempenhar trabalhos fora da nossa área, e aí a disposição e dedicação são o segredop, pois frequentemente nos abrem portas. Conclusão: mesmo se você está atuando fora da sua área, DÊ SEMPRE O SEU MELHOR.


* Cancele a assinatura da globo internacional (ou qualquer outro canal na sua língua materna) – hehehehe. Dedicação para aprender uma nova língua também é fundamental. Quando cheguei aqui eu não falava francês e entendi rapidamente que, sem falar francês seria MUITO difícil de conseguir um trabalho. Como eu não tinha condições de pagar um curso de francês, lia o jornal todos os dias. No começo não entendia nada, mas aos pouquinhos começou a ficar mais fácil. Cancelei a globo internacional, pois com certeza é uma péssima ideia. Se queremos aprender a língua local, precisamos mergulhar na cultura local, e isso inclui a TV. E hoje em dia ainda há os aplicativos de celular que também ajudam muitooooo quem quer aprender uma nova língua. Eu uso um aplicativo chamado “italk” e adoro. Falar a língua local é importantíssimo por diversas razões, inclusive para fortalecer o sentimento de pertencimento à comunidade local.


* Embora a vontade de se juntar a comunidade brasileira é enorme, quando chegamos no exterior, eu diria, se junte aos seus, mas com “moderação”. É muito difícil a gente descobrir e gostar da cultura local, e fazer novos amigos se a gente só vai na feijoada do bar brasileiro. Tente alternar, um dia a feijoada, e no outro uma atividade diferente, que você não fazia no Brasil. Desta maneira você conhecerá pessoas de outros países e fará novas conexões; conexões estas que tbm poderão te abrir portas no futuro.


* Se você tem algum diploma no seu país de origem, verifique como fazer para pedir a equivalência no seu novo país. Aqui na Suíça é muito simples e abre muitas portas. Sem meu diploma brasileiro eu não poderia ter feito meu mestrado; e o meu mestrado foi uma das minhas maiores conquistas. Ou seja, Peça a equivalência dos seus diplomas.


* Lute por você e pelos seus sonhos. Não os coloque nas mãos de outra pessoa; do futuro marido rico, da promessa que um amigo te fez, do emprego que ainda não saiu... Não perca nunca a consciência de que as coisas não caem do céu. E de que se você não se esforçar, não se preparar e não se dedicar, de nada adianta reclamar. O que alguns chamam de sorte, eu chamo de luta!


No mais gente, aproveitem, explorem as boas coisas da sua nova cidade/país. FOQUE NO POSITIVO SEMPRE. Como sempre digo, todos os lugares têm vantagens e desvantagens, bem como as decisões que tomamos. Tudo se ajeita com o tempo, e o tal do destino.... ahhhh esse tal desse destino...... eu só posso agradecer!!

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