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A distância e a culpa


Meus pais e minhas filhas! AMOR!

Este fim de semana meu telefone tocou. Eu recebi um telefonema daqueles que a gente não gosta nem de imaginar, sobretudo quando mora longe da família. Este fim de semana recebi uma triste notícia. Uma Tia muito querida e que ocupa cadeira cativa na minha vida e no meu coração faleceu. Quando moramos longe, bemmmmm longe, estas são as ligações que mais tememos. Esta notícia trouxe ainda mais reflexão para a minha vida... A tal da frase “parece que foi ontem.” Quem nunca disse esta frase ao realizar a rapidez com a qual os anos passam não é mesmo? Lembro que nos meus aniversários enquanto criança, minha Tia vinha para a minha casa enrolar docinhos, encher balões... Ela fazia uma bala de abacaxi deliciosa!! Qts recordações...

Mas por que estou contando tudo isso à vocês? Pq como disse, esta notícia me trouxe muita reflexão. Eu sofri durante muitos anos por causa da distância. Temendo as ligações fora de hora. Será que é possível ser feliz em um outro país, longe da família e amigos? Acredito que quase todo expatriado já se fez essa pergunta sem talvez encontrar a resposta.

A vida é um ciclo, precisamos entender e aceitar isso. Há muitas coisas sobre as quais não temos domínio e tá tudo bem. As ligações “temidas” chegarão independentemente de onde você tenha feito morada. Quando decidi sair do Brasil em 2002 me lembro perfeitamente de uma amiga muito querida me dizendo assim: “Eu jamais poderia ir morar em outro país, pois a cada ano que passasse longe da minha mãe, seria um ano a menos ao lado dela”. Essa frase me marcou muito, e talvez tenha sido responsável pela culpa que carreguei durante muitos anos por morar longe. Mas tenho certeza de que minha amiga não falou por mal. Não mesmo. Foi apenas sincera, afinal de contas não deixava de ser verdade. Só que hoje, 17 anos mais madura, vejo esta situação de uma outro maneira. Não “perdi” anos ao lado da minha mãe. Ouso até dizer que a distância nos aproximou ainda mais.

O fato de não poder nos encontrarmos frequentemente, fez MUITO presente em nossas vidas as chamadas de vídeo, as ligações telefônicas, o envio de cartas e fotos, e por aí vai. E a cada reencontro aproveitávamos cada minuto da presença uma da outra. Em relação as netas? A Gabi, que foi quem mais conviveu com a avó materna, AMA de paixão a vovó Marisa. Fala dela com um carinho que me enche os olhos de lágrimas. A vovó Marisa podia TUDO, afinal era só 1 mês por ano que ela podia mimar né? Então MIMOU MUITO, e por tudo isso eu só tenho a agradecer a Deus. Talvez elas não tivessem tido uma relação assim, tão pura, próxima e desprovida de “controle parental” como foi, se morássemos na mesma cidade.

Então gente, se hoje posso dar uma dica de como lidar com a dor da distância, diria não tema o que está por vir, não se culpe e aproveite o momento presente. Diga que ama, beije, abrace, mime muito! Telefone todos os dias se vc quiser. Mande cartas, presentes, fotos..... Estar presente não basta. Se faça presente na vida das pessoas que você ama. E qto aos julgamentos daqueles que mal nos conhecem e que não sabem NADA da nossa vida, um grande FODA-SE a eles.... Quem sabe da sua vida é você, e estas pessoas certamente não estarão presentes quando as temidas ligações chegarem. Então dispa-se de toda culpa. Não tema as ligações fora de hora, elas virão sim, para todos nós! Falo por experiência própria. Ser presença na vida do outro, depende apenas de nós, acredite!

Beijo grande, Cris!

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